Os detalhes divulgados sobre os testes são vagos, mas, de acordo com o Ministério das Comunicações, os usuários não notaram nenhuma alteração. Os resultados serão agora apresentados ao presidente Vladimir Putin.
Os especialistas continuam preocupados com a tendência de alguns países de criarem redes próprias desconectadas da internet global.
“Infelizmente, as medidas tomadas pela Rússia são apenas mais um passo no crescente desmembramento da internet”, disse Alan Woodward, cientista da computação da Universidade de Surrey, no Reino Unido.
A internet é composta por milhares de redes digitais pelas quais a informação viaja. Essas redes estão conectadas por pontos de roteamento de dados — e eles são, sabidamente, o elo mais fraco desta cadeia.
A Rússia quer ter sob seu controle estes pontos pelos quais passam os dados que entram ou saem do país, de modo que possa bloquear o tráfego que vem de fora, se estiver sendo ameaçada – ou caso decida impedir o acesso a informações externas.
Isso permite criar um sistema de censura em massa semelhante ao que ocorre na China e no Irã, que tentam bloquear qualquer conteúdo considerado proibido.
“Cada vez mais, países autoritários que desejam controlar o que os cidadãos veem estão se espelhando no que Irã e China já fizeram. Isso significa que as pessoas não terão acesso ao diálogo sobre o que está acontecendo em seu próprio país, serão mantidas dentro de uma bolha”, diz Woodward.
A Rússia faz parte de um número de nações insatisfeitas com uma internet construída e controlada pelo Ocidente. O país fala abertamente sobre construir uma “internet soberana” desde 2011.
No início deste ano, o país estabeleceu as mudanças técnicas necessárias e forneceu recursos para que as empresas as implementassem a fim de que a internet russa seja operada de forma independente.
Os testes previam que os provedores demonstrassem ser capazes de direcionar dados para pontos de roteamento controlados pelo governo e filtrar o tráfego para entre os cidadãos russos e para qualquer computador estrangeiro.
Agências de notícias locais noticiaram declarações do vice-ministro de Comunicações dizendo que os testes da Runet foram executados conforme o planejado.
A agência de notícias estatal Tass informou que os testes avaliaram a vulnerabilidade dos aparelhos ligados à internet e também testaram a capacidade da Runet de combater “influências negativas externas”.
Como funcionará a Runet?
Ao usar a Runet significará que os dados enviados por cidadãos e organizações russas circularão apenas dentro do país, em vez de serem roteados internacionalmente.
Os Russos também estão buscando desenvolver serviços de rede mais personalizados para seus cidadãos. A empresa anunciou planos para criar sua própria Wikipedia e aprovou uma lei que proíbe a venda de celulares que não possuem software russo pré-instalado.
Como a China, a Rússia espera criar serviços que sirvam de alternativas ao buscador Google e a rede social Facebook a longo prazo.
Fonte: G1
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